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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

ESSAS MENINAS



Entendo que a missão do poeta é passar algum tipo de mensagem a quem o ouve ou lê. Relembro, sempre, o verso de Hernandez no épico Martin Fierro: "...yo canto opinando / que es mi modo de cantar".
Pois neste final de semana aconteceu a 30ª Gauderiada de Rosário do Sul. Participei com a zamba "Essas Meninas", em parceria com Tuny Brum.



Roland Barthes dizia que a poesia deve ser "fruto de um surto". Ignoro se "Essas Meninas" foi um surto; mas, com certeza, foi difícil e doloroso compô-la, por seu teor. Tuny foi brilhante ao colocar a melodia.
Brilhante também foi Analise Severo, a quem agradeço imensamente. Uma aula de interpretação; muito mais que voz, Analise foi toda emoção e sentimento no palco.






Por fim, agradeço a todo o time que levou a zamba ao palco: Analise, Tuny, Marcelo, Paulinho, Ithi e Elias. Gracias mil. E, especialmente, à minha fotógrafa favorita, minha prenda Cláudia Albornoz (autora de todas as imagens postadas).



Abaixo, a letra:

ESSAS MENINAS

No brete escuro
De cada rua
A luz da lua
É um clarão que se insinua
Iluminando a silhueta pequenina
Dessas meninas
Que se vendem nas esquinas.

Não são mulheres
Nem são crianças:
A esperança se perdeu
Num quarto escuro;
Foram-se os sonhos
E quebraram-se os brinquedos
Ficou o medo
E a incerteza no futuro.

Igual aos rios que tem seus cursos desviados
Matando a sede das sementes pelas tardes
Essas meninas têm roubada sua infância
No cotidiano indiferente das cidades.

Nas avenidas,
Pelas esquinas,
Essas meninas
Vão cumprindo
Suas sinas:
Tropa perdida
Entre refregas
E disputas
Que a vida bruta
Abandonou na reculuta.

Igual aos rios que tem seus cursos desviados
Matando a sede das sementes pelas tardes
Essas meninas têm roubada sua infância
No cotidiano indiferente das cidades.





segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

PRA INGLÊS VER

Bruna, nossa filha, vai passar 3 semanas na Europa (Londres, Edimburgo, Paris)fazendo intercâmbio e estudando inglês. A pedido dos coordenadores, planejou, desenvolveu e editou um vídeo para divulgar o Rio Grande por lá. As fotos, em sua maioria, são de minha esposa, Cláudia Albornoz ( http://www.click-chique.blogspot.com ) e a música é "Quando o Rio Grande Corre Pelas Veias", parceria minha com Robinho Garcia (vencedora da XIX Tertúlia Nativista de Santa Maria)


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

GRACIAS, ZÉ CLÁUDIO



Na 9ª Tertúlia Nativista de Santa Maria, em 1988, com 19 anos (eu jamais imaginava ganhar este festival um dia...), tive a oportunidade de ver e aplaudir em pé a composição "De Como Cantar Um Flete", letra de Gaspar Machado e melodia de Lúcio Yanel. No palco, dois gigantes: o próprio Lucio (que saiu do ginásio de ambulância, com uma isquemia cerebral transitória) e Zé Cláudio Machado. Por estas e outras, hoje agradeço ao mestre que nos deixa - e quem, por desventura, não conheci pessoalmente: Gracias, Zé Cláudio.
Abaixo, uma pequena homenagem diante da enormidade artística de Zé Cláudio.


Quantos cavalos quedarão sem garras?
Quantas guitarras em silêncio triste?
O próprio campo perderá seu gáudio
Porque Zé Cláudio já não mais existe.

Quantas cordeonas com seus foles rotos?
E quantos potros sem provar esporas?
Não mais milongas ternas em prelúdio
Porque Zé Cláudio já se foi embora.

Mas para sempre ficará o encanto
Daquele canto forte como um cerno –
É o Rio Grande em seu valor mais áureo
Porque Zé Cláudio já nasceu eterno.



terça-feira, 15 de novembro de 2011

QUANDO O RIO GRANDE CORRE PELAS VEIAS



"Quando o Rio Grande Corre Pelas Veias", milonga em parceria com Robson Garcia, foi a vencedora da XIX Tertúlia Nativista de Santa Maria.
Gracias Robinho, Juliano Moreno, Daniel Cavalheiro e Volmir Coelho, pela dedicação e brilhantismo no palco.
Gracias, Fernando, Mano, Modesto, Guto, Saccol, Diahy, Gadea,Bibiana, Caiaffo, Volmaris, pelo apoio.
Gracias, especialmente, a minha prenda, Cláudia Albornoz, que amo cada dia mais.
Abaixo, a letra:

QUANDO O RIO GRANDE CORRE PELAS VEIAS

Nalgum fundo de campo da fronteira
Um índio bem montado mira ao longe
E a pampa inteira cabe nos seus olhos
Repletos de coxilhas e horizontes.

Há muito de querência neste homem,
Há séculos de história escrita em versos
E a herança da Campanha se reflete
Na simples amplitude de seus gestos.

A singeleza de cevar um mate
E alçar a perna pra espiar estrelas
É a liturgia do ritual campeiro
Quando o Rio Grande corre pelas veias.

Nalgum fundo de campo da fronteira
Com a proteção sagrada do chapéu
Um índio afina as cordas da guitarra
Olhando a pampa comungar com o céu.

Sou eu o homem que bombeia ao longe
Repleto de coxilhas e distâncias;
O campo é minha razão, é minha essência,
Porque eu sou eu e minhas circunstâncias.



Foto: Cláudia Albornoz

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A LIÇÃO DE MARTIM FIERRO


No último final de semana estive em Quaraí, quando da realização do II Canto ao Saladeiro, promovido pelo Piquete Manoel Luis Osório, onde classificamos duas músicas para a final e para compor o CD do evento: "Milonga Para Rio Negro", em parceria com Penna Flores (que foi defendida de forma brilhante por Alex Har), e "A Lição de Martim Fierro", parceria com Juliano Moreno, na voz de Robinho Garcia.
Para satisfação do grupo, conseguimos o terceiro lugar com esta última, da qual posto a letra abaixo.
Gracias a todos: Robinho, Alex, Cezar e Fabrício e Juliano e Penna pela parceria.
"A Lição de Martim Fierro" foi minha primeira parceria com Juliano Moreno, ainda no ano de 2004, e sua letra é baseada em uma estrofe do clássico de Hernandez:

"Yo he conocido cantores
Que era un gusto escuchar
Mas no quieren opinar
Y se divierten cantando
Pero yo canto opinando
Que es mi modo de cantar"

Parabéns a todos os participantes e sobretudo aos vencedores: Mario Eleú e Dudu Monteiro, com a belíssima "Mala Vazia" (em interpretação fantástica de Jean Kirchoff), Primeiro Lugar, e Domingos Dornelles e Jorge Abella, pelo Segundo Lugar com "Um Tempo Pra Mim".

Abaixo, a letra de "A Lição de Martim Fierro"

Sou dos que opinam cantando
Porque creio na palavra;
Semente de boa lavra
Floresce até no deserto.
O bom ginete, por certo,
Não roda nem se escalavra.

Sou de cantar opinando,
Não canto por diversão.
Na mesa onde falte o pão,
No rancho onde falte a sorte:
Aí cantarei mais forte
Meu canto com opinião.

Meu canto tem a crueza
Do verso em matéria bruta
Que se estende em reculuta
Pra destravar as tramelas
E abrir portas e janelas
Na ideia de quem me escuta.

A lição de Martim Fierro
É clara como uma luz
E se algum Sargento Cruz
Quiser seguir a meu lado
Basta fazer um costado
Pra estes versos que compus.

Quem canta por conveniência
Pensando só em agradar
Com medo de contrariar
Tantas vaidades alheias
Deixa que que botem maneias
E buçal no seu cantar.



quarta-feira, 31 de agosto de 2011

DIBUJOS DE DON FLORENCIO


Recebi o CD "Clube da Esquila", do Pirisca, de regalo da Mônica Boeira ( Gracias, Mônica! - http://twitter.com/#!/monicaboeira ); uma das faixas, "Dibujos de Don Florencio", do Cabo Deco, Pirisca e Tukano Netto, faz menção a Florencio Molina Campos, ilustrador argentino nascido em Buenos Aires, em 1891, e falecido na mesma cidade em 1959.


Florencio Molina Campos realizou sua primeira exposição na "Feria Ganadera de Palermo", em 1926: 61 telas e aquerelas com caricaturas, as quais vendeu todas. Com este sucesso, a Fábrica Alpargatas contratou-o para confeccionar seu almanaque no período de 1931-1936 e 1940-1945, constituindo a primeira pinacoteca argentina. Refletiu em sua obra temas da vida campeira argentina e dos gaúchos e "paysanos", temática que cultivou tanto em pinturas quanto em ilustrações e caricaturas. Seus trabalhos foram expostos em Paris, Nova Iorque e Los Angeles, tendo sido contratado por Walt Disney como Supervisor de seus desenhos animados em 1941. Ilustrou o "Fausto", de Estanislao del Campo (ver "Os Pioneiros").
Abaixo, algumas ilustrações do gênio.







Para visitar o site oficial: http://www.molinacampos.net